29 dezembro 2012

O Diário de Anne Frank - 3


Oie, Tortinhas de Cereja! Trouxe mais uma parte do Diário da Anne Frank. E aí, estão gostando?


Sábado, 20 de Junho de 1942
Durante uns dias não escrevi nada porque, primeiro quis pensar seriamente na finalidade e no sentido de um diário. Experimento uma sensação singular ao escrever no meu diário. Não é só por nunca ter escrito. Suponho que, mais tarde, nem eu nem ninguém achará interesse nos desabafos de uma garota de treze anos. Mas na realidade tudo isso não importa. Gosto de escrever e
quero aliviar o meu coração de todos os pesos.
- O papel é mais paciente do que os homens -. Era nisso que eu pensava muitas vezes quando, nos meus dias melancólicos, punha a cabeça entre as mãos, sem saber o que havia de fazer comigo. Ora queria ficar em casa, ora queria sair e, a maior parte das vezes, ficava-me a cismar sem sair do lugar. Sim, o papel é paciente! E não tenciono mostrar este caderno com o nome pomposo de
Diário seja a quem for, a não ser que venha a encontrar na minha vida o tal - grande amigo - ou a tal - grande amiga -.
De resto, a mais ninguém poderá interessar o que vou escrever. E pronto!, cheguei ao ponto principal de todas estas considerações: não tenho uma verdadeira amiga!, vou-me explicar melhor, pois ninguém pode compreender que uma garota de treze anos se sinta só. É, de fato, uma coisa estranha. Tenho pais simpáticos e bons, tenho uma irmã de dezesseis anos, ao todo, por aí uns trinta conhecidos ou o que se chama - geralmente - de amigos. Tenho uma comitiva de admiradores que me fazem todas as vontades. Mesmo na aula tentam ver meu rosto com um espelhinho de bolso e só se dão por satisfeitos quando lhes sorrio. Tenho parentes, tias e tios, muito simpáticos, uma casa bonita, e, pensando bem, não me falta nada, senão uma amiga! Com todos os meus numerosos conhecidos,
só consigo fazer tolices ou falar sobre coisas banais.
Não me é possível abrir-me, sinto-me como que "abotoada". Pode ser que esta falta de confiança seja defeito meu. Mas não há nada a fazer e tenho pena de não poder modificar as coisas.
Por tudo isto é que escrevo um diário. E para evocar na minha fantasia a ideia da amiga há tanto tempo desejada, não quero, como qualquer pessoa, jogar os fatos aqui. Este Diário é que vai ser a minha amiga, e vou-lhe pôr um nome. Essa amiga chama-se Kitty.
Seria incompreensível a minha conversa com a Kitty se eu não contasse primeiro a história da minha vida, embora sem grande vontade.
Quando meus pais casaram tinha o meu pai trinta e seis anos e a minha mãe vinte e cinco. Minha irmã Margot nasceu em 1926 em Frankfort sobre o Reno; em 12 de Junho de 1929 vim eu. como somos judeus, emigrámos, em 1933, para a Holanda, onde meu pai se tornou director
da Travis A-G. Esta firma trabalha em estreita ligação com a Kolen 82 Go., no mesmo edifício. A nossa vida decorria com as aflições do costume, pois as pessoas de família que ficaram na Alemanha não escaparam às perseguições de Hitler. Depois dos "progroms" de 1938 os dois irmãos de minha mãe fugiram para a América. Minha avó veio viver conosco. Tinha, nessa altura, setenta e três anos. A partir de 1940 foram-se acabando os bons tempos. Primeiro veio a guerra, depois a capitulação, em seguida a entrada dos alemães. E então começou a miséria. A uma lei ditatorial seguia-se outra;
e, em especial para os judeus, as coisas começaram a ficar feias. Obrigaram-nos a usar a estrela e a entregar as bicicletas, não nos deixavam andar nos carros elétricos e muito menos de automóvel.
Os judeus só podiam fazer compras das 3 às 5 horas - e só em lojas judaicas. Não podiam sair à rua depois das oito da noite e nem sequer ficar no quintal ou na varanda. Não podiam ir ao teatro nem ao cinema, nem frequentar qualquer lugar de divertimentos. Também não podiam nadar, nem jogar tenis. ou hóquei, nem praticar qualquer outro esporte. Os judeus não podiam visitar os cristãos.
As crianças judaicas eram obrigadas a frequentar escolas judaicas. cada vez saíam mais decretos... Toda a nossa vida estava sujeita a enorme pressão. Jopie dizia a cada passo: "Já nem tenho coragem para fazer seja o que for porque tenho sempre medo de fazer qualquer coisa que seja proibida".
Em Janeiro deste ano morreu a avózinha. Ninguém imagina quanto eu gostava dela e que falta me tem feito.
Em 1939, mandaram-me para o jardim-escola - Montessori -. Depois estudei ainda as primeiras classes primárias naquela escola. No último ano, a directora, a sra. K., era chefe da minha turma. No fim do ano  nos despedimos comovidas, e ambas chorámos muito. Desde o ano passado a Margot
e eu frequentamos o Liceu judaico; ela está no quarto ano e eu no primeiro.
Nós, os quatro da família, ainda não temos muito de que nos queixar. Estamos bem. E assim cheguei ao presente, à data de hoje.

12 comentários:

  1. Oi flor, adorei seu blog, muito lindo. To seguindo, Beijos :3

    Aguardo sua visita.
    Debora-Young-World.blogspot.com

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  2. Estou louca para ler esse livro, mas eu gostaria de comprar sabe.. hahaha' adorei a ideia!
    Beijos
    aspastelones.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Também to louca para comprar ,mas num tenho dinheiro então vou acompanhar o que a Lara posta aqui ,hehehe :)

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  3. Você é muito fofa *---* gostei do blog
    Tem Tutorial completo de Ano novo você vai amar ! ♥ http://novajuventudexxi.blogspot.com.br/2012/12/ano-novo-tutorial-completo.html

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  4. gente,eu sou louca para ler esse livro! OMG! serio que vc publicando ele aqui? anw*-*

    http://conectadas2.blogspot.com.br/

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    1. É, estou colocando todo o livro. Se quiser ler, aqui os outros capítulos:
      < a href=''http://macacor-de-rosa.blogspot.com.br/2012/11/o-diario-de-anne-frank.html''>O primeiro
      < a href=''http://macacor-de-rosa.blogspot.com.br/2012/12/o-diario-de-anne-frank-parte-2.html''>O segundo
      Estou postando uma data de cada vez.

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  5. Nossa eu quero muito ler!
    parace bem interessante <3
    beijinhos!
    http://cantinhodaslovelys.blogspot.com.br/

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  6. Linda, adorei seu pensamento... Realmente se começamos a ler um livro e formos pensar no que ele significa, no que levou a pessoa que escreveu a escrever aquilo. No caso do Diário de Anne Frank, é uma história a se pensar profundamente e além da conta. Uma história linda e muito bem escrita. Feliz 2013, muita paz, amor e saúde pra você. Um beijo, Michaele
    http://melhortobonita.blogspot.com.br/

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E ai batatinha ?Tudo bem ?Adoro quando vocês comentam só se lembre de umas coisinhas :

-Nada de xingamentos
-Se for criticar seja educado
-Comentários tipo :''Seguindo ,segue de volta ?'' Serão ignorados

Test 1

Bem vindo!

Oi pequeno panda viajante!Esse aqui é o Maçã cor de rosa,um blog com tutoriais,materiais,dicas e ou coisinhas legais.A dona daqui é a Jelly e quem a ajuda ela são a Stephanie e a Lara.Sinta-se em casa :D

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